domingo, 21 de março de 2010

Conto


Pedro e Inês

D. Afonso IV estava inquieto, a andar de um lado para o outro na sala do trono. Sentou-se, e reflectiu durante algum tempo. Disse então aos três homens ajoelhados em frente dele:
- Vão, encontrem-na e tragam-na até mim. Se ela resistir, matem-na. É crucial que ela não escape.
Os três homens levantaram-se, fizeram uma vénia e saíram da sala.
Entretanto Inês encontrava-se no campo, a cantar e a colher flores. Pensava apenas em D. Pedro, seu amado. Ia encontrar-se com ele nessa noite, numa cabana ali perto.
Uma carruagem apareceu, e parou ali perto. De dentro saíram três homens encapuzados, com vestes negras, a caminhar até Inês. Chegaram ao pé da jovem donzela, e um deles disse:
- D. Inês de Castro, foi convocada por el-rei D. Afonso IV. Escolta-la-emos até aos seus aposentos. Por favor entre na carruagem.
Inês tentou argumentar e explicou que esperava ali por D. Pedro, mas os homens disseram-lhe que as ordens que tinham eram claras e se não obedecesse seria acusada de traição.
Inês não teve por isso outra opção senão seguir as ordens do rei. Entrou na carruagem e seguiram em direcção ao palácio.
Entretanto, D. Pedro tinha chegado ali perto. Foi até à cabana, mas Inês não estava lá. Teve um mau pressentimento, e apressou-se a subir ao cavalo e galopar em direcção ao palácio.
A meio do caminho encontrou a carruagem. Dentro viu Inês e dois homens. Um terceiro estava à frente, guiando a carruagem.
D. Pedro desembainhou a espada e cortou as rédeas, libertando os cavalos. A carruagem começou a desacelerar, até parar.
Um homem saiu da carruagem, enquanto que o outro ficou a prender Inês, que gritava por Pedro. O outro foi também em direcção a Pedro, de espada em punho.
Pedro atacou o primeiro homem com um golpe horizontal descendente. O homem bloqueou o golpe, e rapidamente contra-atacou num golpe horizontal, do qual Pedro se desviou. O outro homem grita então para o primeiro:
- Pára! Esse é D. Pedro, filho de D. Afonso!
Com isto, os dois algozes começaram a fugir em direcção ao palácio.
Contudo, o terceiro ficou, e desembainhou a espada. D. Pedro correu o máximo que pode, mas não conseguiu evitar que o algoz enterrase a espada no peito de Inês, que morreu com o nome de Pedro nos lábios.
Um desespero enorme atingiu Pedro, seguido de um ódio tremendo.
Pedro atacou o assassino violentamente, ferindo-o no braço esquerdo. Este soltou um gemido, e levantou a espada mesmo a tempo de bloquear o ataque seguinte de Pedro. O algoz então girou a espada, desarmando Pedro, e deu-lhe de seguida um murro que o atirou ao chão. Embainhou a espada, levou a mão à ferida e retirou-se do local.
D. Pedro ficou ali, atordoado. Inês, o seu grande amor, estava morta, e com ela a alma de Pedro.
Os homicidas de Inês foram então contar o sucedido ao rei.
- Bem, não era isto que eu pretendia, mas agora há que se acabar o trabalho. Vão e matem os filhos bastardos. Depois, fujam para Castelha e não voltem.
Os algozes cumpririam aos ordens do rei. Apenas regressariam a Portugal muitos anos mais tarde, quando o rei de Espanha os entregaria a D. Pedro, o Cruel, que os executaria como eles executaram os que ele amava.

terça-feira, 16 de março de 2010

Carta para Inês


Inês minha amada
Meu coração bate por ti
Quando poderei voltar a ver-te?
A cada segundo que passa
Sem sentir teu gentil toque
Sem ouvir tua doce voz
Sem beijar teus lábios de mel
A tristeza me ataca

Nem há palavras para te dizer o sofrimento
Que sinto afastado de ti
Nem há palavras para te dizer a paixão,
E o bater de meu coração louco por ti
Nada consegue exprimir meu amor
Grande demais para caber,
Nas letras pequenas desta carta.

Inês, minha amada,
Por enquanto não posso escrever mais
Mas embora eu esteja afastado de ti
estou contigo e com os nossos filhos
E procuro sempre uma oportunidade
De ir para junto de ti.

terça-feira, 2 de março de 2010

Soneto de Inês


Bela amante princesa,
Inês minha flor,
Minha riqueza,
Eu choro de amor...

Querer-te e não te ter,
Não ter-te ao pé de mim,
Ver-te morrer...
Minha flor de setim!

A espada no coração...
Fos-te morta em vão
Pela crueldade do povo
Partido coração o meu...
Quem me dera ser plebeu
E começar tudo de novo...